nas 329 poesias do MA

A Lua e o Poeta

9 de abril de 2009

Pobre lua
Que se deita, insone, nua,
Em seu leito, ao léu, na rua
Esperando a alvorada
Desesperada,
Coitada.
Quase apagada,
Não é mais que uma vela
E ainda assim revela,
Quando reflete na poça
O poeta e a moça,
A musa,
Que recusa
Viver o amor tão bonito
Que jamais fora escrito
Pelo poeta,
Aflito
Ao ver nos olhos da moça
Uma poça:
Lágrimas de orgulho
E, num mergulho,
O poeta tenta a sorte,
Escapa, por pouco, da morte
Afogado,
Minguante como a lua,
Pobre lua
Que, insone, deita nua
Sobre o poeta. Na rua.

Amiga da Rapha

5 de abril de 2009

A amiga da Rapha,
Bela morena,
Tem a pele suave
E a voz serena.
É delicada,
Qual açucena.
Ensolarada,
Como Helena.

A amiga da Rapha,
Doce menina,
Tem a leveza
Da bailarina,
E um sorriso
Que ilumina
Os meus caminhos.
E o meu destino.

A amiga da Rapha,
Linda pequena,
É perfumada
Como verbena,
O seu abraço
Me condena
E aprisiona
Meu pensamento.

A amiga da Rapha,
Apaixonante,
Beligerante.
É vida.

A amiga da Rapha,
Definitiva.

Vida Colorida

30 de março de 2009

Quero baldes de tinta.
Quero a minha estrada colorida
Com o amarelo do Vincent,
O azul do Pablo
E o vermelho da Frida.
Quero cor,
Quero amor,
Quero vida.
Quero despir-me o quanto antes,
Já nos próximos instantes,
Da alma ranzinza,
Feia,
Como roupa de cadeia,
Opaca, triste. Cinza.
Quero o sol, laranja,
Impressionante,
Ultrapassando, soberano,
O basculante
Enquanto tomo banho
E me livro do último resíduo,
Do desbotado indivíduo
Que não quero ser.
Quero novos olhos
Para ver, no mundo,
O que eu não conseguia.
O que a minha obtusa mente,
Já não percebia.
Quero novas cores.
Novos amores.
Quero alegria.

Grita!

10 de março de 2009

Grita!
Mas não some.
Insulta, esperneia
Faz greve de fome,
Incendeia.
Mas fica!
Briga!
Perde a linha,
Diz que não é minha
E chora.
Só não vai embora.
Fica.
Fica
Porque pode ser que um dia,
Com a cabeça mais fria,
Você me explique
E eu entenda,
Peça desculpas,
Sele a fenda
Que nos separa.
Mas pára
Com essa mania
De todo dia
Querer sair
Quando se irrita.
Grita!
Mas não some...
Xinga, provoca,
Erra meu nome
Mas fica, não vai
Porque dói, como dói,
Quando um amor que se constrói
Cai.
Tenha a santa paciência,
Ou a puta indecência,
Tanto faz.
Não interessa,
E eu nem tenho pressa,
Eu só tenho a certeza
Que se você for embora,
A gente vai jogar fora
Um amor.
E jogar amor fora
É pecado.
E dos piores.
Olha, dias melhores
Virão.
Grita, reclama,
Diz que não me ama,
Mas larga essa mala no chão!

Rapha

8 de março de 2009

Raphaella,
Amiga minha.
Amiga dela.
Finge que é cortesã
Mas tem alma de donzela
Esperando por seu príncipe,
Debruçada na janela.

Raphaella assunta.
Raphaella junta.
Raphaella pergunta,
Pergunta,
Pergunta.

Recita Pessoa
Para ouvidos incultos.
Para ouvidos inimigos,
Recita insultos.
É mais forte que ela.

A tal verve lusitana.
Que veio na caravela.

Navegar é preciso.
E ela precisa.
Conquistar o mundo
Que idealiza.
Conquistar o homem
Que não existe.
E não desiste.
E continua.
Raphaella em pé,
Raphaella nua,
Despida de pudores,
Revestida de amores
Sonhados,
Copiados
De um soneto.
Raphaella e seus medos
Seu gueto.
Seu abismo.
Auto-exílio.
Ostracismo.

Raphaella chora.
Como muitos.
Raphaella escreve.
Como poucos.
Raphaella e seus amigos,
Todos loucos.

Raphaella e suas dores.
Raphaella e seus amores,

Mexicanos,
Puritanos,
Suburbanos.

Tantos enganos.

Raphaella,
amiga dela.
Minha também.

Talvez

26 de fevereiro de 2009

Volta
Nem que seja pra mentir que estragamos tudo
Nem que seja pra exigir que eu fique mudo
Nem que seja pra falar o que eu não posso ouvir
Nem que seja pra não assumir…
…o amor…
Seja lá o que isso for
(Mas) Volta
E desvia o teu olhar do meu
Diz de novo que já me esqueceu
E tenta acreditar no que você me diz
E nas tantas teorias sobre ser feliz
Volta
E murmura que já desistiu
Ignora a canção do Gil
Explica que não dava mais
Porque eu roubei a tua paz!
Talvez,
Talvez você esteja certa
Mas por via das dúvidas
A porta vai ficar aberta…

(Pra você voltar…)

Nada

26 de fevereiro de 2009

Hoje abri meu coração
Libertei meus sentimentos
Escrevi uma canção
E a cantei aos sete ventos

Mas em nada resultou
Não te trouxe para perto
Minha alma ressecou.
Minha mente – um deserto!

Acabou minha inspiração
Se esvaiu minha alegria
Pra vida não há razão
Sem a tua companhia.

Presente

26 de fevereiro de 2009

Tua nudez visita a minha mente
Sinto tua pele, teu gosto e teu cheiro
Abraço e beijo o teu corpo inteiro
Vejo o teu riso de gozo iminente

Gozo que toma a ti, loucamente
Te faz ferver e expressar num grito
O teu prazer mais puro e bonito
Que faz-me amar-te mais intensamente

Então entrego-me completamente
Ao teu desejo mais forte e sincero
Realizar-te é tudo o que espero
Ver-te mulher que vive plenamente!

E numa noite enluarada e quente
Em minha cama te terei deitada
Nua, linda, para ser amada
Encerra-se o sonho. Tu estás presente!

Pra Minha Amiga

26 de fevereiro de 2009

Deus, pra me proteger
Fez de ti minha amiga
Deu-te o colo que me abriga
E não me deixa sofrer

Mesmo se cerras a boca,
Tu me dás tua atenção
Escutas com o coração
A minha história mais louca.

Me entendes com ternura
E não me julgas culpado
E só de ter-te ao meu lado
Sinto minh´alma mais pura.

Conheces minhas fraquezas
(E, nelas, nos encontramos)
Em nossos copos afogamos
Várias de minhas tristezas

Agradeço com fervor
Estares sempre comigo
Deixe-me ser teu amigo
E retribuir-te este amor.

Mais Que Tudo

25 de fevereiro de 2009

Como tu falta-me aos braços!
Como, sem ti, é oco meu peito!
Minh'alma, tantos espaços
Como a cama em que me deito…

Estranha ausência que sinto
(Pois nem minha tu és)
Me toma como um instinto
E me derruba aos teus pés…

E como eu desejo te ter!
Como eu desejo te amar!
Pena não poderes ver…
Nem tampouco imaginar…

Mais que tudo, te quero!
Tua boca, tuas mãos, teus seios…
Quero, com um beijo sincero
Libertar os nossos freios

Quero overdose de amor!!!
Quero paixão permanente!
Gozar, explodir com o calor
Da tua pele ardente

Quero deitar do teu lado
E respirar o teu cheiro
Me sentir realizado,
Homem, feliz. Verdadeiro!

Soneto da Libertação

25 de fevereiro de 2009

Nunca mais vou te dizer
Que és tudo o que preciso
Que não saberei viver
Por não ter o teu sorriso!

Teu olhar nada me diz
A partir deste momento.
As juras de amor que te fiz
Foram-se, agora, no vento!

O meu coração vazio
Ficou mais calmo, sereno
Sobreviveu ao teu frio...

Livrou-se do teu veneno
Seguirá novo, sadio
Em busca de um amor pleno!

Vuoto

22 de fevereiro de 2009

Oggi io ti ho cercato nella moltitudine.
Tra i tanti che andavano,
Tanti che venivano,
Ho ricercato, attento,
Ansioso,
Una luminosità
Che potesse denunziare il tuo sguardo
La tua presenza.
Ho atteso che la brezza del mare
Portasse, rinvolta,
Come regalo,
Il tuo profumo.
In mezzo alle voci e rumori
Del cotidiano affrettato
Ho tentato sentire
La piú semplice
Manifestazione della tua voce...
Ma tu non ti sei fatta vedere.
E, per rincontrarmi con te,
Ancora una volta
Ho mosso tutto quello
Che é nostro
Che ho mantenuto guardato
Dentro me.

Sorbonne

22 de fevereiro de 2009

Filha da puta,
Pára e me escuta
Porque eu te amo,
Caralho.
Como é que você não percebe,
Parece até que não bebe!!!
Tão insensível, obtusa...
Vê se entende de uma vez
Essa merda toda,
O mundo que se foda,
Porque eu te quero,
Porra!
Mas, antes que eu morra,
Porque depois não adianta...
Defunto não beija,
Presunto não abraça...
Se eu morrer, fodeu, já era...
Você senta e espera..
Aí só na próxima!
E se você sair do inferno,
Que é pra onde vai
Quem fode
Com a vida dos outros.
Até quando vai durar
Esse faz-de-conta
De que está feliz?
Olha na minha cara, caralho,
E me diz!
Porque eu duvido!
Larga esse fodido
Que não te merece.
Porque eu não agüento mais essa
Merda na minha garganta,
Me sufocando.
Vê se presta atenção,
Deixa de ser burra,
Você merecia uma surra,
Mas não bato em mulher.
Ainda mais a que eu amo,
A que eu venero.
Se o problema é tempo,
Eu espero,
Mas me diz até quando,
Pra não parecer que está
Cagando
Pra essa coisa bonita
Que eu trago no peito
E chamo de amor.

Eu Quero Você

14 de fevereiro de 2009

Eu quero você de todos os jeitos
Com todas as suas manias
E defeitos
Com todos aqueles seus pretextos pretéritos
Mais que imperfeitos
Que fazem tanta falta
Num dia como hoje
Em que o maior de todos meus desejos
É caprichar na retórica
Pra te pedir dois beijos
Um pra agora
E outro pra levar
Porque daqui a meia hora
Eu sei que vou sentir saudade
Eu sei que vou sentir vontade
De novo de você
E vou te querer
Com todos os seus vícios
E artifícios
Com todos os seus medos
E segredos
Com todos os seus risos
E improvisos
Com toda a sua imensa
Toda a sua intensa
Vontade de viver
Eu quero hoje, amanhã e sempre
Eu quero você

Esfinge

14 de fevereiro de 2009

Eu devia ter desconfiado
Desses olhos de leão
Que escondem o coração
De pedra
De uma esfinge
Que finge
Nem me notar. Não me querer.

Eu que tentei decifrar
Desde o segundo segundo em que a vi
Mesmo quando o que eu mais queria
Era ser devorado.
Era ter transformado
Esse meu amor quase platônico
Em um romance faraônico
De final feliz

(Juro que eu quis)

Mas tudo o que resta do sonho
É o deserto
De escassas lágrimas pelo amor que não deu certo
De remotas esperanças de tê-la de novo por perto
Pra descobrir, pra conquistar
Mais do que a aparência, muito mais, a sua essência
O seu lindo coração
Protegido, escondido
Pelos olhos de leão.

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