quase
nos teus olhos moram os olhares que te lanço
e o teu peito guarda os versos que te escrevo.
te quero tanto mas, no entanto, não te alcanço
quase desisto mas, por amor, não me atrevo.
nos teus olhos moram os olhares que te lanço
e o teu peito guarda os versos que te escrevo.
te quero tanto mas, no entanto, não te alcanço
quase desisto mas, por amor, não me atrevo.
o amor vem quieto. e quieto permanece
no peito da gente, sossegado, adormecido.
até que um dia, por obra e graça do cupido
ele desperta. se agiganta. e acontece.
o coração da gente logo sente. estremece
e o mundo fica bem mais belo. e colorido.
duas vidas enveredam em um novo sentido
mais lindas, de mãos dadas. sob o sol que aquece.
sinto falta da tua voz.
nesse frio apartamento,
só eu e meu pensamento,
de novo e sempre. tão sós.
eu te amo.
teus olhos, lindos, um dia
encontraram os meus,
por pura sorte. ou magia.
ou por vontade de Deus
que descerrou, pra mim,
teus véus.
e escreveu o nosso fim,
nos céus.
só Ele o sabe.
não há quem possa prever
nossas escolhas futuras.
não há o que me faça sofrer.
nem mesmo as (tantas) quadraturas.
e se o teu saturno soturno
se opõe ao meu marte,
dificulta, incomoda.
mas não me impede de amar-te.
é preciso paciência. é preciso devoção.
para a densa poesia,
para a criptografia
da tua vênus em escorpião.
às vezes será ótimo.
às vezes, mais ou menos.
e às vezes vai falar alto meu marte.
em trígono com a tua vênus.
talvez um dia nossos caminhos se cruzem,
e sejam então, uma só,
as estrelas que nos conduzem.
mas não há promessa.
não há medo.
não há pressa.
e pra quem faz porque gosta,
não há nada que atrapalhe.
o tempo traz a resposta.
o resto é mero detalhe.
eu nunca deixei de te amar.
é como flanar
num domingo à tarde.
sem rumo, sem pressa.
sem alarde.
livre.
descalço,
sem camisa.
com a cumplicidade fraternal
da brisa.
é como sorrir com a lembrança
das aventuras,
travessuras,
dos meus tempos de criança.
é como se fosse
a primeira mordida
no doce.
o favorito.
ou como escutar o canto
mais bonito
dos pássaros
em sinfonia.
em sintonia.
é protagonizar
a poesia
de clarice.
é como se emocionar
com adiós nonino.
ou se encantar com improvável elástico
do rivelino.
é sublime. é único.
é divino.
assim é te amar.
lindo é o amor dito pelos sábios
e o discurso denso e erudito.
mas quero mesmo encontrar teus lábios,
num beijo lindo, puro. e infinito.
no quarto escuro brilha o teu sorriso
mesmo à distância, sinto-te presente.
entre palavras, acho as que preciso.
e escrevo versos que falam da gente.
toda vez que meu sono aparece,
meu sonho é contigo. ao meu lado.
mas não é sempre que isso acontece...
então sigo sonhando. acordado.
Foi num dia de março.
Ainda verão, quase outono
Que acordei do meu sono,
Longo,
Profundo.
Como se depois de tanto tempo
Abrissem os meus olhos.
Me tirassem o capuz.
E diante de mim,
Tua beleza irradiante.
Tua luz.
Num piscar de olhos,
Os teus,
Despertei.
O nome do que senti,
Eu não sei.
Mas era bom.
E era forte.
Voltava eu, naquele instante,
Da morte.
Meu sangue, de novo, pulsava nas veias.
Tantas pessoas a nossa volta,
Todas alheias
Ao milagre divino,
À ressurreição.
Meu coração,
Outra vez vivo,
Quente.
E ao mesmo tempo,
Eu ali, dormente.
Atônito
Com a inimaginável
Experiência
De voltar a amar.
Ah! Moça linda,
Do sexto andar!
Quantas vezes fui te ver,
Sem nem ter o que falar…
Só pra sentir teu perfume.
E te escutar.
Naquele dia de março,
Meu amor, antes contido,
Ali, esparso.
No meio da sala,
Vertia.
Você falava,
Sorria.
Tuas palavras, me abraçavam,
E vinham aos meus ouvidos
Como poesia.
E minha interminável e solitária noite,
Virava dia.
enquanto tento o verso perfeito
que expresse o amor que eu sinto,
eu o guardo em silêncio no peito.
e sempre que eu calo, eu minto
Nada me vale a cama mais macia
E quiçá tampouco os braços de morpheu.
Meu corpo exausto só descansaria
Se o teu olhar deitasse sobre o meu.
Je tiene à dire bonjour
Et envoyer vous des belles roses
Parce que tu es mon amour
Et je vous souhaite de bonnes choses.
no lugar da saudade, sorriso.
no lugar do medo, alegria.
no lugar do limbo, paraíso.
no lugar do nada, poesia.
às vezes me pergunto se é amor
e fico indeciso na resposta.
às vezes me pergunto se essa dor
é flor que dá no peito de quem gosta.
bom dia!
não me resta muita coisa
além da poesia.
que sequer é boa.
não tenho as palavras
do Pessoa.
mas se me falta - e como falta -
habilidade
sobra no meu peito
uma vontade
de pedir,
de implorar
- por piedade -
que te cuides.
talvez, não te percebas
importante.
mas não deixas de ser
um só instante.
peço todo dia
pros meus santos
(confesso que nem sei a quantos)
que virem alegrias
os teus prantos.
olhos como os teus,
desenhados à mão,
por Deus,
não são próprios pro choro.
tua boca,
de traços tão precisos,
é abrigo precioso.
pra sorrisos.
às vezes o caminho fica mais difícil.
às vezes só enxergamos
o precipício.
mas é nessa hora,
em que mal nos levantamos
do tropeço,
que o Grande Cara
nos permite um recomeço.
então, respira!
e tira essa angústia do teu peito!
as imperfeições do mundo,
que fazem ele perfeito...
lembra quanto és querida.
dá o primeiro passo,
toma o teu novo espaço.
vive tua nova vida!