Talvez Eu Nem Te Ame

12 de novembro de 2013

talvez eu nem te ame.
talvez seja vício.
uma forma infame
de um desperdício

de tempo,
de vida,
de amor.

talvez seja só o início,
o primeiro passo
pro hospício.
ou o último
antes
do precipício.

talvez eu nem te ame.
e toda essa febre que eu sinto,
essa insônia
sem parcimônia
de toda noite,
ou essa adrenalina,
sejam apenas a falta de alguma
vitamina.

deve ser isso.

porque não é possível
que eu consiga sentir
o que eu sinto que sinto.

não deve ser amor.
deve ser a parede espelhada
de um labirinto
que me engana.
que me confunde.

porque por mais que eu me inunde
com o melhor vinho
é em ti que eu penso
quando fico sozinho.

talvez eu nem te ame.

às vezes, acontece...
o querer bem, sem fim,
não é o que parece.

o carinho, o desejo,
e a vontade que não passa
de te ter por perto
é armadilha no meu peito,
que esqueci aberto,
e acabou sendo invadido
por um sentimento
bonito
que eu não conhecia.

talvez eu nem te ame.

e dizer que te amo
seja minha grande inverdade.

e não adianta eu pensar que essa saudade
que transborda, em versos, sem freio
porque é maior que o mundo e que a eternidade
seja algo além de um devaneio.

quase sentir o gosto dos teus lábios
de tanto imaginar os teus beijos,
não quer dizer nada.
é apenas mais um tropeço,
um mal do qual padeço,
da minha alma enganada.

talvez eu nem te ame...

ou, ainda talvez, eu esteja enganado
e o que eu sinto é sintoma
de um amor que me toma
em perfeita euforia
e me faz, cada dia,
bem mais apaixonado.

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