Te Amo

Um milhão de vezes,
Te amo.
Me humilhando às vezes,
Te amo.
Em toda circunstância,
Te amo.
E a qualquer distância,
Te amo.

Te amo porque amo amar-te.
Te amo e desejo desejar-te.
Te amo por inteiro. Cada parte.
Te amo. Insaciável em saciar-te.

Te amo com amor puro. Inocente.
Te amo com amor puto. Indecente.

Te amo. E para sempre te amarei.
Mas nunca me perguntes como sei,
Porque não sei. Eu só sonhei
Te amar para sempre. Como sempre amei.

Sabe o que me espanta?

Sabe o que me espanta?
É que eu tento tudo
E nada adianta.
É você que ainda
Continua linda
Em todos os cantos
Do meu pensamento.
Por mais que eu mereça,
Por mais que eu conheça,
Milhares de
Mulheres
Melhores
É você que eu amo.

Amo os seus olhos
Que enxergam em mim
Tantos defeitos.
Amo seus seios,
Deslumbrantes, perfeitos,
Esculpidos por Michelangelo.
Amo sua boca,
Berço do sorriso
Mais maravilhoso
Que eu já pude ver.

Amo a sua mão
Que, com a minha mão,
Fez a comunhão
Mais honesta, mais correta,
Mais justa,
Que eu conheci.

Amo o seu perfume,
Amo o seu gosto,
Sua simples existência,
Sua inteligência,
Rara,
Quintessência.
Amo o seu charme
Que desequilibra
Porque embriaga.

Amo o seu abraço
E o seu beijo.

Amo a sua voz
E, às vezes,
Seu atroz
Jeito de Leão.

Amo, quando você se entrega,
Sua alma desnuda,
Linda,
Como um verso de Neruda.

Sabe, o que me espanta
É tudo o que me encanta,
E cada dia mais,
Em você.

Ridículo

Ridículo
É como me sinto
Diante deste teu, parece, instinto
De me condenar
Ao ostracismo
Me empurrar
No abismo
Da solidão.
Não é possível
Que estejas insensível
A perceber
Aquele nosso amor maiúsculo,
Hoje tão ralo, crepúsculo,
Inerte músculo
Que padece
Que carece
Do menor carinho
Pra viver.
Abre teus olhos,
Abre teu peito,
Deixa pra trás o que foi feito
E começa o novo,
De novo.
Eu errei,
E, talvez, tenhas errado
Mas nunca o bastante
Pra não querer-te um instante
Ao meu lado.
Deixa de orgulho!
Pelo amor de Deus,
Muitos dos teus sonhos
Também são meus.
Vamos vivê-los,
Vamos aquecê-los
Com aquele amor
Ardente,
Verdadeiro,
Transparente
Que um dia nos uniu.
Faz tanto tempo que eu
Nem te vejo
E ainda é presente o desejo
De beijar a tua boca.
Já tentei te esquecer,
Te amaldiçoei.
Mas tudo de concreto
Que aconteceu
Foi ter que abrir a porta pro amor
Que não morreu.
E recebê-lo aqui,
Nessa apertada solitária…
Eu com ele, nesse escuro cubículo,
Me sentindo triste, turvo
E ridículo.

keep walking

Keep Walking! –
Disse-me Johnnie
Embalado pelo solo
Do saxofone
Meio rouco,
Meio louco.
Pouca luz…
Talvez isso tudo seja mesmo
Blues.
E eu aqui.
Dentro de mim,
Além do exagerado teor
De bebida
Que anestesia,
Entorpece,
Há um monte de coisas bonitas
Que a gente não esquece
E quer dizer, a qualquer custo,
Que sente.
Então,
Quando acabar de ler este poema,
Saiba que ele foi escrito,
Com o que há de mais bonito
Daquilo que sente um homem.
Todas as mágoas somem,
As angústias se vão
E fica apenas o amor de sempre,
Sincero,
No coração.
Vão embora a dor
E a frustração.
E o que toma meu pensamento
E, agora, eu digo
É que eu só queria você aqui,
Comigo.
Porque eu te amo!
Segurando a tua mão,
Escutaria, então,
Um mais doce,
Menos aflito,
Grito
Do oxidado saxofone.
Keep walking!
Diria, pra gente, o Johnnie.

Meus Poetas

A me proteger da tua
Indelicada frieza,
E inexplicável escassez
De caráter,
Apenas o exército de poetas
De versos,
Diversos,
Contundentes,
Estrondosos,
Que invoco, em apuros.

Quando a solidão,
Cruel carrasco,
Me enforca,
Salvam-me as palavras
De Garcia Lorca,
Que traz consigo sempre
A inestimável ajuda
De seu amigo de língua,
Pablo Neruda.

Cecília Meireles, meu escudo,
Contra teu ódio, indiferença,
Quase tudo,
Não abandona a luta.
É guerreira,
Como os heróis de trincheira,
Mário de Andrade
E Bandeira.

E o que seria de mim
Sem Fernando Pessoa
Que, às vezes disfarçado,
É incansável, é valente,
Ao meu lado.
Se desprezado,
Quase sucumbo ao ataque,
Mas rogo,
Pela força de Bilac,
Que não foge
À mais violenta
Das batalhas.

Quando a tristeza é
Mais forte
E, já beirando a morte,
Rendo-me e
Sinto saudade,
Curam-me os poemas
De Carlos Drummond de Andrade.

Sá-Carneiro, amigo,
Tantas vezes abrigo
Do perene perigo
Da sala vazia.
Do calor que nos unia,
Perigosos resquícios…
Prontamente eliminados,
Por Vinícius.
De Shakespeare, os sonetos,
Poderosos amuletos,
Para a guerra
Pela vida.
Injusta vida
Longe de ti.

Estilhaços de dúvidas e a incerteza,
Se invadem a fortaleza
Em que me escondo,
Num ato hediondo,
Levam-me ao chão.
Febril, não mantenho o controle
Da mente
Novamente
Insana
Mas guia-me ao meu leito,
Mário Quintana.
Hosana!
O breve murmúrio
De um homem
De luto,
Cansado da luta.
Quem escuta?
Quem ampara esse
Pobre poeta que já nem sabe o que quer?
Manoel de Barros, Gonçalves Dias
E Charles Baudelaire!

Vivo, assim, eu, pois, melhor que ti!
O poeta por mais que sofra, sorri!
Tu, com teu silêncio
Inescrupuloso,
Orgulhoso,
Teimoso,
Desastroso,
Viras cárcere,
Condenada por Camões,
Que te leva aos porões.
Menotti Del Picchia te tranca,
Bocage insulta,
E Florbela espanca!

Feminina

Em um rosto de menina,
Um sorriso de mulher,
Um olhar que me ilumina
E a boca que não me quer

Num corpo de mulher,
Segredos de uma menina
Me transformam em voyeur
De um belo que fascina

A mulher me enlouquece,
Seu perfume me domina,
Sua presença me aquece
E me lembra a menina…

A menina que me acalma
Num dia triste qualquer.
Me fala coisas com a alma
E me lembra da mulher

A menina encantadora…
A mulher da minha vida…
Numa face a protetora
E na outra, a protegida.

A mulher que me seduz.
A menina? Me dá carinho.
Uma é a minha luz
A outra, o meu caminho.

Quero a mulher e a menina,
Quero tudo que puder…
Quero a paixão genuína.
Quero a menina e a mulher!

Hoje

Hoje foi um daqueles dias
Em que você vem, não sei de onde,
Escancara as portas cerradas,
Seladas,
Geladas,
Do meu pensamento,
Olha nos meus olhos em rápido
Movimento,
Sem-cerimônia,
Sem perguntar se é o melhor
Momento
Para ficar.
E fica.
Deitada na espreguiçadeira
De velha madeira.
O dia inteiro,
Para meu completo, cruel e Indiscreto
Desespero
De quem não esperava visita,
De quem se preparou para estar só.
E sem ação,
Nem opção.
Fico sem voz,
Voz, voz…
Como eu sabia!
Eu não devia
Ter escutado o Gilmour…
Tão convincente,
De jeito manso, amigo
E eloqüente…
Eu perguntando uma razão – só uma –
Para existir
E ele veio com aquela história
De Wish You Were Here.
E agora?
Eu não consigo mandar você
Embora,
Fico olhando,
Querendo pegar no colo,
Pedir ao Roger mais um solo
E, antes do último acorde,
Acordar você
Com um beijo
E um abraço…
Meu Deus, o que eu faço
Para essa mulher sair do meu pensamento
Para invadir, tomar de assalto
Meu apartamento,
Acabar de uma vez com essa parcimônia
De carinhos,
Pegar a minha mão,
Me entregar seu coração
Para sempre?
Meu Deus, o que eu faço
Para que hoje
Seja passado?
E distante.