nas 329 poesias do MA

Saudade

23 de janeiro de 2009

Saudade não é saudável...
Tão ingrata emoção
É doença incurável
É a solidez da solidão

Saudade, insano vazio
Que preenche o coração
Saudade é um dia frio
Bem no meio do verão

Saudade é forma de dor
Que dói no peito que espera
Saudade é jardim sem flor
Mesmo em plena primavera

Saudade é falta de sorte
Saudade é prima da morte
Saudade derruba o forte
Saudade... Maldade...

Saudade é medo. É trauma
De viver longe de ti,
Saudade é minha alma
Quando não estás aqui.

Poema no Mar

11 de janeiro de 2009

Larguei um poema no mar
Em uma garrafa de rum
Se um dia ele te encontrar
Tomara não seja apenas mais um
Tomara tenha a sorte
Que não teve nenhum
De tocar a tua alma
De fazer suar a palma
Da tua mão
De ousar mudar o ritmo
Das batidas
Tão contidas
Do teu coração.
Eu queria tanto
Estar aí contigo
Eu queria mesmo
Ser o teu melhor amigo
Ser de novo teu amante
E não ser o almirante
Sem esquadra
E não ser o comandante
De um barco naufragado
E não ser o habitante
De uma ilha tão distante
A viver apaixonado...
Larguei um poema no mar
Escrito com tinta vermelha
Se um dia ele te encontrar
Que nos sirva de centelha
Que acenda no teu peito
Que acenda do teu jeito
A paixão que existe no meu.
Larguei o poema no mar,
Pedi ajuda a Netuno
E no momento oportuno
Ele vai te entregar.
Após noite mal dormida
Tu estarás distraída
E ao olhar o mar de Angra
Vais se lembrar que ainda sangra
Meu coração, com saudade.
E vais ver, então, uma garrafa,
Presa, talvez, na tarrafa
De algum pescador.
Dentro estará um poema
E, com certeza, o amor.

Eu juro

10 de janeiro de 2009

Pelo homem que deu por cachaça
O dinheiro que compra seu pão.
Pelo outro que deu, por desgraça,
O que tinha em seu coração.

Pela santa que chora em vermelho
Pelo velho que jaz no caixão
Pelo estranho que eu miro no espelho
Pela moça que inspira a canção
Pelo moço que canta o fado
Pelo artista que pinta com o pé
Pela virgem que cheira a pecado
Pelo ateu que vive da fé
Pelo surdo que toca piano
Pelo cego sem medo do escuro
Pelo tolo e seu tolo engano
Pelo homem que reza no muro
Pelo réu que jura inocência
Pelo cão que lambe seu dono
Pelo escravo que pede clemência
Pelo anjo que vela o teu sono
Pelo soldado sem dia seguinte
Pelo rosto que está no jornal
Pelo sem-teto e sem requinte
Pelo mendigo do sinal
Pelo palhaço que chora
Pela estudante que ama
Pela amante que implora
Pela velha que reclama
Pelo velho que não escuta
Pelo ambulante que berra
Pelo menino que luta
Pela gente que erra
Pela mãe que espera seu filho
Pelo pai que rouba por fome
Pelo insano que deita no trilho
Pela puta que tinha o teu nome

Pelo amigo que abraça
O amigo em pranto
Pelo Pai, pelo Filho
Pelo Espírito Santo

Pelo amor da minha vida
Que ainda vou conhecer

Eu juro e, de novo, eu juro
Que agora eu vou te esquecer.

180898

18 de agosto de 2008

Momento solene
Quando te vi
Amor perene
Nasceu ali?

Uma hora antes
Ou séculos depois
Finalmente instantes
De só nós dois...

Chegaste,
Sorriste,
Ficaste.

Aprendemos,
Sofremos.
Vivemos.

Teus Dias

19 de julho de 2008

Sinto tua falta.
E mesmo sem saber se um dia
Hei de rever-te,
Desejo que teus desejos
Tornem-se reais,
Que teu peito seja lar para o amor
E tua alma
Para a paz.
Que nos teus dias
Não caiba o medo,
Não caiba a dor,
Não haja sequer a sombra
Da incerteza
E que teus passos sejam firmes, constantes,
Seguros
Na direção, não necessariamente do paraíso,
Mas do que, tu, julgues preciso
Para viver.
Que a sagrada luz
Que brota dos teus olhos Ilumine a tua estrada
Para que torne-se serena
Tua jornada.
E que em todas as manhãs
O perfume inconfundível
Da felicidade
Faça-te perceber teus sonhos,
Tornando-se
Realidade.

Fico

19 de julho de 2008

Hipnotizado,
Perplexo,
Paralisado
E sem nexo,

Descontrolado,
Ofegante,
Alucinado
E delirante.

Intrigado,
Indefeso,
Abobado
E surpreso.

Instigado,
Confuso,
Sufocado
E obtuso.

Encantado!
Muito feliz
E apaixonado...
Quando sorris!

Foi-se

19 de julho de 2008

Foi-se!
E eu fiquei
Na companhia de apenas
Umas poucas lágrimas
Mais cinco ou seis palavras
Presas na garganta.

Foice! Que rasga o coração. Sangra o coração
Pobre coração. Antigo lar de tantos belos sentimentos
De sonhos e sonetos
De esperanças,
Danças, canções.
Emoções.

Foi-se!
E o que era amor
Virou saudade?
Virou tristeza?
Virou vazio?

Que virem, sim,
Velozes, constantes
As folhas desse ordinário
Calendário
Que dias passem em segundos.
Voem!
Que o tempo seja, na frente de tudo,
Meu amigo.
E que antes, bem antes,
De eu enxugar meu rosto,
Possa de novo (pra sempre)
Sentir o gosto
Do teu beijo.
Que beijo!
Definitivo, permanente. Eterno.
Impregnado em cada milímetro
Da minha memória.
Beijo puro. Beijo doce. Beijo meu.
Beijo da vida. Beijo que me deu vida.
Vivo pra isso.
Por isso.

Foi-se!
Te espero.
Te quero.
Te amo.

Descarto Descartes

19 de julho de 2008

Quanto mais eu penso
Menos existo.
Porque me consumo
Em dúvidas,
Lacunas.
Porque me esgoto
Em perguntas
Sem respostas.
Porque me esvazio
Da coragem,
Da esperança.
Quanto mais eu penso,
Mais me perco.
E sem achar de volta
O caminho,
Faço do labirinto
Um lar.

De certa forma,
Me liberto.

E já não sinto
Saudades,
Dor.

Quanto mais eu penso,
Menos respiro,
Menos choro,
Menos quero,
Menosprezo.

Quanto mais eu penso,
Menos acho a razão.
Paradoxo.
Pára tudo.

Que razão há de existir,
Se a razão de existir foi embora?

Presente de Grego

19 de julho de 2008

Não é de Pandora
A caixa de um homem que só te adora.
Não é a caixa que te apavora.
Nem o homem que, só, te adora.
E importa pouco seu conteúdo.
O melhor de tudo
Está fora...

Então não peça de presente
A minha ausência
Embrulhada em cara
Carência
Encharcada com uma
Essência
De incerteza
Porque não te cabe
Porque não combina
Com uma mulher tão bonita
Uma alma de chita
Rasgada
Um coração apertado
Um roto sorriso
Um olhar opaco,
Impreciso.

Preciso
Dar, sim, o meu melhor presente,
Único,
Diferente:
Esse amor enorme, lindo,
Quente.
Feito à mão por Deus,
Pessoalmente,
Para cobrir teu corpo, alma
E mente.
E te fazer feliz.

Vitória

19 de julho de 2008

Escute que eu vou dizer que você está errando
Desculpe mas você sabe muito bem do que eu estou falando
Se hoje você está livre
Com a morte de um grande problema
Amanhã de manhã o sol nasce
E renasce o seu mesmo dilema

Porque eu sei que ainda existe
Um pouco de amor
E ele vai te seguir (pode crer)
Aonde você for

Eu sei que o destino assusta
Eu sei que às vezes dá medo
Mas pense antes de desistir
Se ainda não está muito cedo

Mas
Se você quer ter a certeza
Que nós dois chegamos ao fim
Eu lhe digo com toda franqueza:
Não vai ser fugindo assim!!!

Tudo bem que o passado é suspeito
Pelo seqüestro do presente
Mas nesse crime hediondo e imperfeito
Nosso futuro é inocente

Eu acho que dá pra gente ser feliz
Com toda a paz que você sempre quis

E algo me diz que, seguindo,
Insistindo com a nossa história,
Lá na frente alguém está esperando:
É a nossa Vitória.

Siga

19 de julho de 2008

Não sintas pena de mim
Sei suportar minha dor
Melhor que podes supor
Ainda estou longe do fim

Jamais me olhes com dó
É pior que indiferença
Já aceitei minha sentença
De morrer, por viver só

Não me tenhas como amigo
Te juro, prefiro o nada
Mas não te sintas culpada
Nem te preocupes comigo

Guarda qualquer falsa flor
Prefiro até teus espinhos
Eu não quero carinhos
O que procuro é amor.

Desejo!

19 de julho de 2008

Desejo!
Que me pulsa no peito
Desejo!
Em toda vez que me deito
Desejo!
Que a memória me traz
Desejo!
Que a tua falta me faz
Desejo!
Que mantém minha chama
Desejo!
Que me invade e inflama
Desejo!
Que dá luz à minh ́alma
Desejo!
Inquietude que acalma
Desejo de uma pele macia
Desejo de uma mão que acaricia
Eu desejo
Teu corpo vibrante
Tua linda risada
Malícia no semblante
De uma timidez ousada...

Meu desejo
Cada dia é mais forte,
Em mim, faz o que quer...
Ou me levará à morte
Ou te fará minha mulher.

Doido

19 de julho de 2008

Corta o silêncio noturno
O grito de um coração
Que trota um tanto soturno
Em busca de sua paixão.

Incansável, persistente,
Corajoso (ou insensato?)
Persegue, inconseqüente,
Um amor findo e ingrato,

Foi desprezado uma vez
E ainda assim, insistiu,
Tudo em vão, o que fez
O amor da vida, partiu.

Um reencontro tão lindo...
Então julgou ser eterno,
Viu, de novo, o amor indo,
Esteve mil anos no inferno.

Esse coração calejado
Bate como o de um menino,
Segue em frente, apaixonado,
Desafiando o destino.

E é essa obstinação
Que faz dele tão forte,
Só desiste da paixão
No instante após a morte.

Ponte Aérea

19 de julho de 2008

Tenho no peito um amor puro,
Forte e incessante. Sincero.
Amor pronto, intenso. Maduro.
Te amo, te adoro. Te quero!

E tenho na alma a saudade
Que me arrebata. E eu choro.
Volta! Traz teu amor de verdade.
Te quero, te amo. Te adoro!

Mas tenho na mente a certeza
Que entenderás que eu te chamo
Pois manténs minha chama acesa.
Te adoro, te quero. Te amo!

Palavra

19 de julho de 2008

Me dá tua palavra
Qualquer palavra
Eu quero o som
Sussurro ou grito
Que algo seja dito
Pela boca
Amada
Beijada
Hoje calada
Qualquer palavra

Eu quero aproximação
Eu quero a próxima ação
(Que não seja o fim!)
Que seja o sim
Que seja o som
Das palavras

Parece absurdo
Mas estou ficando surdo
De tanto que não escuto
A tua voz
Tuas palavras
Eu quero o som
adoro, te quero. Te amo!
Que tudo fique claro
Quando você disser
Que tudo fique, claro,
Como Deus quiser.

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