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Rapha

8 de março de 2009

Raphaella,
Amiga minha.
Amiga dela.
Finge que é cortesã
Mas tem alma de donzela
Esperando por seu príncipe,
Debruçada na janela.

Raphaella assunta.
Raphaella junta.
Raphaella pergunta,
Pergunta,
Pergunta.

Recita Pessoa
Para ouvidos incultos.
Para ouvidos inimigos,
Recita insultos.
É mais forte que ela.

A tal verve lusitana.
Que veio na caravela.

Navegar é preciso.
E ela precisa.
Conquistar o mundo
Que idealiza.
Conquistar o homem
Que não existe.
E não desiste.
E continua.
Raphaella em pé,
Raphaella nua,
Despida de pudores,
Revestida de amores
Sonhados,
Copiados
De um soneto.
Raphaella e seus medos
Seu gueto.
Seu abismo.
Auto-exílio.
Ostracismo.

Raphaella chora.
Como muitos.
Raphaella escreve.
Como poucos.
Raphaella e seus amigos,
Todos loucos.

Raphaella e suas dores.
Raphaella e seus amores,

Mexicanos,
Puritanos,
Suburbanos.

Tantos enganos.

Raphaella,
amiga dela.
Minha também.

Nada

26 de fevereiro de 2009

Hoje abri meu coração
Libertei meus sentimentos
Escrevi uma canção
E a cantei aos sete ventos

Mas em nada resultou
Não te trouxe para perto
Minha alma ressecou.
Minha mente – um deserto!

Acabou minha inspiração
Se esvaiu minha alegria
Pra vida não há razão
Sem a tua companhia.

Presente

26 de fevereiro de 2009

Tua nudez visita a minha mente
Sinto tua pele, teu gosto e teu cheiro
Abraço e beijo o teu corpo inteiro
Vejo o teu riso de gozo iminente

Gozo que toma a ti, loucamente
Te faz ferver e expressar num grito
O teu prazer mais puro e bonito
Que faz-me amar-te mais intensamente

Então entrego-me completamente
Ao teu desejo mais forte e sincero
Realizar-te é tudo o que espero
Ver-te mulher que vive plenamente!

E numa noite enluarada e quente
Em minha cama te terei deitada
Nua, linda, para ser amada
Encerra-se o sonho. Tu estás presente!

Pra Minha Amiga

26 de fevereiro de 2009

Deus, pra me proteger
Fez de ti minha amiga
Deu-te o colo que me abriga
E não me deixa sofrer

Mesmo se cerras a boca,
Tu me dás tua atenção
Escutas com o coração
A minha história mais louca.

Me entendes com ternura
E não me julgas culpado
E só de ter-te ao meu lado
Sinto minh´alma mais pura.

Conheces minhas fraquezas
(E, nelas, nos encontramos)
Em nossos copos afogamos
Várias de minhas tristezas

Agradeço com fervor
Estares sempre comigo
Deixe-me ser teu amigo
E retribuir-te este amor.

Mais Que Tudo

25 de fevereiro de 2009

Como tu falta-me aos braços!
Como, sem ti, é oco meu peito!
Minh'alma, tantos espaços
Como a cama em que me deito…

Estranha ausência que sinto
(Pois nem minha tu és)
Me toma como um instinto
E me derruba aos teus pés…

E como eu desejo te ter!
Como eu desejo te amar!
Pena não poderes ver…
Nem tampouco imaginar…

Mais que tudo, te quero!
Tua boca, tuas mãos, teus seios…
Quero, com um beijo sincero
Libertar os nossos freios

Quero overdose de amor!!!
Quero paixão permanente!
Gozar, explodir com o calor
Da tua pele ardente

Quero deitar do teu lado
E respirar o teu cheiro
Me sentir realizado,
Homem, feliz. Verdadeiro!

Todo Dia

11 de fevereiro de 2009

Senti frio.
Senti medo.
Senti falta.
Corri pra tentar chegar antes
Mas por meros instantes
Cheguei atrasado.
Menti pra evitar estragar
E quando acordei
Já estava estragado.
Bebi pra esquecer que bebia
Pra esquecer
O que eu não esquecia.
Gritei pra arrancar do meu peito
O passado imperfeito
Que tanto afligia.
Chorei pra lavar a alma
E os olhos incrédulos
No que não enxergavam.
Escrevi por insegurança,
Pra manter a esperança,
Pra desabafar.
Rezei pra não te ver.
Pensei pra te alcançar.
Vivi pra não morrer.
Caí pra levantar.
Calei por falta de opção
E interlocutor.
Amei por falta de amor.
Beijei a boca errada
Sem paixão, sem desejo
E com gosto de nada.
Lembrei de você todo dia
Vivi a agonia
De um condenado.
Lembrei de você todo dia
E por covardia
Estive calado.

Que Saudade Que Eu Sinto da Gente

11 de fevereiro de 2009

Que saudade que eu sinto da gente…
Daquele tempo…
Quando tudo parecia ser perfeito,
Quando o mundo parecia ser do jeito
Que eu queria,
Quando todos esses relógios homicidas paravam
Pra eu ver
Que você sorria.
É, eu ainda tenho a coleção que fiz
Com todos os sorrisos que você me deu
Quando me olhava daquele jeito
Meigo, doce, franco,
Que é o seu.
Nem sei porque
Mas hoje deu uma vontade,
Uma vontade louca
De dizer
Que eu faço o meu melhor, o meu maior,
Pra ser sua amiga
Mas,olha, talvez, eu não consiga…
Porque o que eu trago aqui dentro
É diferente,
Tem a ver com essa saudade que eu sinto
Da gente…
Tem a ver com tudo o mais
Que eu nunca mais
Consegui sentir.
E faz tanto tempo…
Milhares de noites em que dormir
É marcar encontro com você…
E saber que é lá que vou escutar de novo
As coisas todas que você me disse
E eu amei que dissesse…
Aquelas coisas lindas, você sabe,
Que a gente não esquece…
É também no sonho que vou sentir seu toque,
Por mais que isso me agrida,
Atravesse a minha vida
E provoque,
Uma coisa esquisita,
Que apesar de bonita,
Eu jurei pra mim mesma, que não quero sentir.
Demorei pra perceber que eu não podia fugir
Porque não existe lugar pra eu ir
Que não sinta você
Porque quando escolhemos o Não,
Na pressa acabei esquecendo
De arrancar você do coração.
Nossa! Que saudade que eu sinto da gente!

Um Segredo

11 de fevereiro de 2009

Você me deixa tão aflita
Que eu preciso ver se estou bonita
Pra falar ao telefone
Com você…
Minha voz fraqueja, a boca seca,
A mão sua.
A mão que é sua.
E eu fico nua,
Me entrego.
Não nego
Minha felicidade
Que não se recolhe,
Não se intimida,
Não escolhe
Momento pra fugir, exultante,
Do peito.
Peito que é seu.
Meu amor não morreu,
E isso é tudo.
Durante muito tempo ficou mudo,
Mas vive.
Cada dia mais maduro,
Cada hora mais seguro,
E ainda tão puro,
Como antigamente.
Quando tudo o que eu tinha
Era a promessa da gente…
Fui eu quem trouxe a serpente?
Fui eu que decidi sair
Do nosso paraíso?
Ou era só conto de fada
E o que era tudo, hoje é nada
Porque deu meia-noite?
Meu Deus! Você deve estar se perguntando
Da onde eu estou arrancando
Esse sentimento…
Mesmo sem teu consentimento
Eu o mantive guardado
No lugar em que ficou largado
Quando você
Preferiu não voltar.
Você, a essa altura,
Já pensa que é loucura
E, sim, eu sou louca
E só penso em sua boca
Sussurando ao meu ouvido
Ou - quem sabe? - o gemido
De prazer
Que está contido,
Está preso…
Isso te deixa indefeso?
Te assusta?
Não é preciso ter medo
Isso era só um segredo
Que eu resolvi te contar!

Olhos

11 de fevereiro de 2009

Olhos da Lara
São lindos,
Caros.
Os olhos da cara.

São meigos,
São puros,
Pretensamente seguros,
Os olhos da Lara.

São olhos felinos,
São olhos divinos,
Que olham pra Deus.
E hipnotizam,
Se sintonizam,
Se sincronizam
Com os meus.

Olhos da Lara,
Tão bonitos!
Mesmo quando tristes,
Mesmo quando aflitos.
Mesmo quando errantes
E sempre mais que antes
Sempre apaixonantes,
Sinceros.
Às vezes, severos.

Olhos da Lara
São olhos que abraçam,
E não disfarçam
Sentimentos
São olhos castanhos.
São olhos atentos.
São olhos que brilham,
São olhos que trilham
Novos caminhos.
São olhos de olhares
Tão singulares,
Que parecem carinhos!

Olhos da Lara
Me encantam.
Olhos que acalantam.
São olhos pra olhar,
Olhos pra sonhar.

Olhos da Lara
(que coisa mais rara!)
Me fazem amar.

Elixir

11 de fevereiro de 2009

Se
Olho pro lado e não te encontro
E não escuto tua voz, tampouco
Talvez esteja mesmo um tanto louco
Porque ainda sinto teu perfume aqui.
Se
Já não me lembro o dia em que te vi
Nem de tudo aquilo que disseste
Talvez eu seja mesmo um cafajeste
E não mereça estar do teu lado.
Se
Eu não enxergo o que fiz de errado
E não compreendo a tua atitude
Talvez eu seja mesmo muito rude
E estás bem certa quando dás de ombros.
Se
Sobrevivi em meio a esses escombros
E te desejo mais que à própria vida
Talvez tu sejas mesmo a mais querida
Que poderia pra mim existir.
Se
Teus beijos doces foram um elixir
Do mais perfeito e sábio alquimista
Talvez na vida eu jamais desista
De te amar e de te ter me amando.
Se
Cheguei aqui porque segui errando
Daqui não passo se não te levar
Talvez eu deva mesmo te esperar

E é só isso que eu tenho feito.

Erros, Acertos, Erros

11 de fevereiro de 2009

Eu roubei a orquídea do rei
Pra enfeitar a tua janela
E a minha lapela,
Usei terno.
Eu mandei o capeta pro inferno
Eu driblei o beque e o goleiro,
Eu fui casto um dia inteiro.
Me esquivei das meninas
E limpei as latrinas
Do banheiro.
Eu chorei todas as letras
Que você me escreveu
Eu rasguei algumas outras
Que você não leu.
Eu fiz o dever de casa da vida inteira
Que eu nunca tinha feito.
Me aceitei imperfeito.
Eu entendi teoremas,
E vomitei poemas.
Não paguei minhas contas em dia
Mas fui no enterro de gente
Que eu nem conhecia.
Eu acabei com a cachaça
Pra entender que a dor não passa.
Eu quebrei a vidraça
E me cortei.
Eu vi meu sangue
Escorrendo
Vi a esperança
Morrendo
Vi a lua
Nascendo
Todos os dias.
Eu orei de joelhos
E de todos os jeitos
E pra todos os santos
E por todos os cantos.
Eu gritei.
Ajudei a velhinha na rua.
Ajudei o aleijado na escada.
Fui ajudado por tanta gente
Que não quis nada.
Eu errei,
Acertei.
Eu errei de novo.
Eu fiz tanta coisa
Tanta coisa nova
Eu me coloquei à prova.
Eu me testei.
Eu não falei eu te amo pra ninguém
Desde o último que eu te disse.
Eu queria que você me visse.
E não.
Eu não invadi o aeroporto
Eu não seqüestrei o avião.
Eu me fingi de morto.
E eu não fiz serenata em Milão.

Mas devia.

Poema no Mar

11 de janeiro de 2009

Larguei um poema no mar
Em uma garrafa de rum
Se um dia ele te encontrar
Tomara não seja apenas mais um
Tomara tenha a sorte
Que não teve nenhum
De tocar a tua alma
De fazer suar a palma
Da tua mão
De ousar mudar o ritmo
Das batidas
Tão contidas
Do teu coração.
Eu queria tanto
Estar aí contigo
Eu queria mesmo
Ser o teu melhor amigo
Ser de novo teu amante
E não ser o almirante
Sem esquadra
E não ser o comandante
De um barco naufragado
E não ser o habitante
De uma ilha tão distante
A viver apaixonado...
Larguei um poema no mar
Escrito com tinta vermelha
Se um dia ele te encontrar
Que nos sirva de centelha
Que acenda no teu peito
Que acenda do teu jeito
A paixão que existe no meu.
Larguei o poema no mar,
Pedi ajuda a Netuno
E no momento oportuno
Ele vai te entregar.
Após noite mal dormida
Tu estarás distraída
E ao olhar o mar de Angra
Vais se lembrar que ainda sangra
Meu coração, com saudade.
E vais ver, então, uma garrafa,
Presa, talvez, na tarrafa
De algum pescador.
Dentro estará um poema
E, com certeza, o amor.

Eu juro

10 de janeiro de 2009

Pelo homem que deu por cachaça
O dinheiro que compra seu pão.
Pelo outro que deu, por desgraça,
O que tinha em seu coração.

Pela santa que chora em vermelho
Pelo velho que jaz no caixão
Pelo estranho que eu miro no espelho
Pela moça que inspira a canção
Pelo moço que canta o fado
Pelo artista que pinta com o pé
Pela virgem que cheira a pecado
Pelo ateu que vive da fé
Pelo surdo que toca piano
Pelo cego sem medo do escuro
Pelo tolo e seu tolo engano
Pelo homem que reza no muro
Pelo réu que jura inocência
Pelo cão que lambe seu dono
Pelo escravo que pede clemência
Pelo anjo que vela o teu sono
Pelo soldado sem dia seguinte
Pelo rosto que está no jornal
Pelo sem-teto e sem requinte
Pelo mendigo do sinal
Pelo palhaço que chora
Pela estudante que ama
Pela amante que implora
Pela velha que reclama
Pelo velho que não escuta
Pelo ambulante que berra
Pelo menino que luta
Pela gente que erra
Pela mãe que espera seu filho
Pelo pai que rouba por fome
Pelo insano que deita no trilho
Pela puta que tinha o teu nome

Pelo amigo que abraça
O amigo em pranto
Pelo Pai, pelo Filho
Pelo Espírito Santo

Pelo amor da minha vida
Que ainda vou conhecer

Eu juro e, de novo, eu juro
Que agora eu vou te esquecer.

Como?

26 de fevereiro de 2008

Ah! Se eu ousasse dizer…
Se eu conseguisse expressar…
Talvez tentando escrever…
Ou, quem sabe, cantar…

Mas a coragem escasseia
A timidez me domina
O meu medo me cerceia
Me prende e desanima

Como saberás, então?
Se o sentimento não digo
Me terás como um irmão
Apenas um bom amigo…

E o que sinto é em vão
Pois a ti eu não declamo
Ao segurar tua mão
Não te digo que te amo…

Soneto do Ex-poeta

29 de outubro de 2005

Já faz quase uma hora
Que eu só consigo rimar
Amor que se foi embora
Com amor que não quer voltar

A dor que dói no meu peito
Dói também no meu caderno
Não acho um verso perfeito
Nem tenho um amor eterno.

Perdi o dom da escrita
Que era o meu ganha-pão
Perdi a moça bonita

Perdi com ela a paixão
E a esperança infinita
Que enchiam o meu coração.

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